Dia do Jornalista: o que fica quando a profissão muda de rota
O jornalismo me transformou para sempre, ainda que eu não consiga me chamar de jornalista sem me sentir uma fraude.
Em 2024, quase 10 anos depois da minha formação na faculdade, eu estava conversando com meus pais sobre algum assunto polêmico, quando me lembrei de um dos meus professores favoritos da faculdade de jornalismo: o Sérgio Euclides, que ministrava diversas aulas no UniCeub, em Brasília. Eu lembro especialmente das aulas de Crítica de Mídia e de Teorias da Comunicação. Cheguei a entrar em contato para agradecer por tudo que aprendi com ele e trocamos algumas mensagens. A correspondência durou pouco, mas foi muito bom poder conversar tantos anos após a minha formatura.
Sendo bem sincera, eu sinto que não consegui aproveitar o curso tanto quanto deveria. Eu estava em um momento bem complicado da minha vida por conta de umas questões pessoais e acabei não sendo capaz de dar o meu melhor. Inclusive, eu adoraria poder fazer o curso novamente. Ainda assim, dentro das minhas limitações do momento, eu adorei estudar jornalismo. O problema é que dificilmente temos noção da dimensão do que estamos vivendo na hora em que estamos passando pela experiência. Hoje eu compreendo o tanto que eu mudei com a faculdade. Assim, pude agradecer de forma mais verdadeira a esse professor que tanto me influenciou.
As dinâmicas das aulas do professor Sérgio tinham o objetivo comum de ensinar as pessoas a pensar e questionar tudo (algo que meu pai também sempre incentivou, por sinal). Ele trazia questões polêmicas para debatermos e nos provocava a analisar as situações de todas as perspectivas possíveis. Nem todos os alunos gostavam dele, porque ele é rígido e exigente. Ele mesmo se classifica como um professor controverso. No entanto, eu sempre apreciei seu jeito de lecionar, porque é esse tipo de professor que nos marca e nos transforma em profissionais melhores.
E é aqui que as coisas ficam um pouco confusas para mim. Minha única experiência profissional como jornalista foi um estágio que fiz durante o curso em uma agência de notícias para rádio. Entrei lá totalmente crua, fazendo o follow-up das matérias divulgadas. Pouco depois passei para a redação sem ter escrito uma única matéria jornalística na vida. Antes de escolherem qual estagiária passaria para a redação, eles passaram uma matéria para cada uma de teste. Talvez eu nem devesse contar isso, mas eu me lembro do quanto achei difícil. Eu não tinha ideia de como começar a apurar aquela matéria. O fato de eu ter feito os primeiros três semestres na turma de publicidade (é uma longa história) não ajudou. Um dos meus chefes chegou a me enviar uma mensagem sem querer me chamando de roda presa, a mensagem era destinada à minha outra chefe e ele mandou para mim por engano. Mas, no fim, eu fui escolhida e passei para a redação. Não foi nada fácil, mas eu adorei a experiência de fazer notícias para rádio e gravar as locuções.
Acabou que meu caminho profissional foi dando umas viradas malucas. Passei pelo cinema (que ainda é uma grande paixão minha) e, eventualmente, aterrissei novamente na publicidade. Mas carrego comigo sempre tudo o que aprendi com o jornalismo. A importância da pesquisa, que é algo que eu sempre gosto de ressaltar; o corte de informações para enxugar o texto quando é necessário; a objetividade na hora de passar uma informação (ainda me permito ser mais subjetiva quando o meio e o assunto permitem, mas deixei de ser tão prolixa quanto já fui um dia); a valorização da clareza do texto para garantir que a mensagem está sendo passada; sempre gostei de observar as pessoas à minha volta e fazer perguntas, mas o jornalismo me ensinou a fazer isso de uma forma mais estruturada e profissional. Enfim, foram muitos os aprendizados que o jornalismo me trouxe.
Não sei se um dia voltarei a exercer a profissão, mas sei que os ensinamentos do jornalismo estarão em tudo que eu fizer.
Feliz Dia do Jornalista!
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